Petrópolis no Século XX - Petropolis in the Twentieth Century - Local History


O Outro Barbosa de Petrópolis

Ensaio publicado em janeiro de 2007 pela Tribuna de Petrópolis

A história oficial e tradicional de Petrópolis destaca o papel efetivo de um Barbosa, o mordomo imperial, aquele que junto com D. Pedro e Koeler constituíram a “santíssima trindade” da fundação. Marco primordial das origens da localidade.

Este Barbosa foi a bandeira do século XIX, das articulações diplomáticas, administrativas e políticas. Um amante da organização de uma cidade para seu “Rei”.

O outro Barbosa, nenhum traço de parentesco advinha, segundo palavras de Áurea Maria de Carvalho, que constituirá uma pequena biografia para tomar posse no IHP.

Estamos falando de Arthur Alves Barbosa, nascido em Niterói, em meados a segunda metade do século XIX, mas precisamente em 17/05/1863. Segundo Áurea Barbosa haveria estudado no Colégio Briggs onde teve um jornal manuscrito em parceria com o celebre pintor Antonio Parreiras.



(Barbosa na redação da Tribuna de Petrópolis)



Alguns já diriam que muito antes em sua infância teria estudado em Petrópolis.
Segundo Áurea Barbosa teria sido transferido pelos pais para o Colégio São Bento. E em 1883 seguiu para cursar a Faculdade de Direito, em São Paulo, onde foi companheiro de “república estudantil” de Alberto Torres, Raul Pompéia e Osório Duque Estrada. Ela ainda assinala que Barbosa teria abandonado os estudos no terceiro ano, já Jerônimo Ferreira Alves, afirma em artigo que Barbosa teria concluído, pois para ser nomeado na época como foi escriturário da Tesouraria da Fazenda Pública, seria necessária a formação, pois era um cargo de grande relevo.

Barbosa também pertenceu na época ao Clube Republicano de São Paulo, o que conseqüentemente lhe traria grande prestigio político junto aos demais companheiros.



Casou-se, em 3 de junho de 1889, com Leonor Campos Barbosa, porém não tiveram filhos, o que conduziu dona Leonor a manter constantemente compromisso com a benemerência e assistência social enquanto seu marido foi diretor e redator de jornal em Petrópolis.



Em São Paulo, Barbosa colaborou nos jornais DIÁRIO POPULAR, CORREIO PAULISTANO, DIÁRIO MERCANTIL. E juntamente com Olavo Bilac fundou a revista ilustrada VIDA SEMANÁRIA.

Exonerou-se do cargo em São Paulo e retornou a Niterói. Sendo logo designado funcionário do Tribunal da Relação e transferindo-se logo depois para a Secretaria do Interior.

No governo fluminense de Alberto Torres, seu ex-companheiro de “república”, dirigiu a 3a seção da secretaria de Obras Públicas e Indústria.

Transferindo-se para Petrópolis reiniciou sua carreira na imprensa, mais precisamente na GAZETA DE PETRÓPOLIS, que foi sucessora de O MERCANTIL. Foi também correspondente dos jornais cariocas GAZETA DE NOTÍCIAS, do qual Bilac destacava-se como colunista e O PAIZ, de Bocaiúva.

Fundada a TRIBUNA DE PETRÓPOLIS, sobre os ossos de O POVO, em 9 de outubro de 1902, Barbo-sa iniciou sua colaboração no dia 23 do mesmo mês, mais precisamente no quinto número, e utilizava o pseudônimo de Carlos Ferraz, que o marcou consideravel-mente em épocas de grande atrito político principalmente com o grupo do general Quintino que dominava a política fluminense.

A TRIBUNA DE PETRÓPOLIS pertencia a António Martins de Oliveira, um leiloeiro público, que era também integrante do grupo político de Hermogênio Pereira da Silva e, Artur Barbosa, foi um de seus redatores, transformando-se posteriormente em um dos grandes próceres políticos deste mesmo grupo na cidade.

Em 1° de dezembro de 1903, ano de grande turbulência política tendo Petrópolis ainda como sede do governo do Estado, Arthur, assumiu a direção exclusiva do semanário, embora a Tribuna pertencesse a uma associação formada pelo próprio Hermogênio Silva, Barros Franco, Horácio Magalhães e Sá Earp. Mas que finalmente a 18 de fevereiro de 1906 passou à propriedade pessoal de Barbosa.

Iniciou-se então uma tirânica batalha de Barbosa para elevar a TRIBUNA ao relevo político que haveria de marcá-la na História da Imprensa fluminense.

Em 1° e janeiro de 1908 a Tribuna ganha edições diárias; em 1910 passa a ser ilustrada com fotogravuras; e passo à passo, ganha as publicações oficiais do município, sem qualquer concorrência.

Sua presença como diretor e redator granjeou imensa responsabilidade e respeito em toda à cidade. E seus contatos com repre-sentantes da imprensa do Rio de Janeiro, conduziram Barbosa a articular a criação do Circulo da Imprensa em 1916 com a compa-nhia de Roberto d’Escragnolle, Maia Forte, J. Figueiredo e J. Bicalho.

Foi eleito com expressão para a Câmara Municipal chegando a exercer sua presidência de fevereiro de l9l3 a abril de l9l6.
Em 1917, Barbosa envolvera-se em uma discussão política violenta na Câmara Municipal, quando Joaquim Moreira, que foi prefeito e chegou a Ministro de Estado, perdeu a calma e sacou de uma arma na tentativa de alvejar o próprio Barbosa, sendo desarmado por companheiros. Os resultados eleitorais alteravam os ânimos destes políticos oposicionistas.

Em 1918, assumiu por quase dois meses a Prefeitura, em uma época turbulenta de crise social e sanitária por que passava não somente a cidade como o país.

Em 1922, durante o governo de Arthur Bernardes, Barbosa, critico contumaz e oposicionista, tendo sido eleito deputado duas vezes, foi preso e impedido de manifestar-se tanto politicamente como profissionalmente. Da prisão, arrenda a Tribuna aos companheiros, Alcindo Sodré e Carlos Rizzini, que a dirigiram de 1923 a 1925, quando livre dos processos e liberto, reassume a propriedade e a direção, lutando pelo objetivo da constituição da sede própria do jornal.

A 1° de janeiro de 1929 a Tribuna de Petrópolis passou a funcionar em Sede própria, à Rua Alencar Lima, onde está até hoje. O terreno pertencia a Artur Barbosa e o prédio foi projeto de Osório Magalhães Sales, sendo construído com o patrocínio do comércio e da indústria petropolitanos e principalmente com a colaboração da população e de profissionais como operários da Leopoldina, pedrei-ros, eletricistas que em uma empreitada comunitária ergueram o que denominavam “patrimônio da cidade”.
Artur Barbosa completou seus 50 anos de imprensa em 1938, sendo que por questões de saúde, que desde a prisão sempre esteve abalada, em 3 de julho de 1943 vendeu a Tribuna de Petrópolis a uma Sociedade.




(Arthur Barbosa junto com Roberto d'Escragnolle, M. Maia Forte, J. Fiqueiredo e J Bicalho, principais membros da imprensa na época e fundadores do Círculo da Imprensa em 1916 em Petrópolis - Foto de Revista da Hemeroteca Pública)



Foi escritor, tendo como obras publicadas; Rosal (crônicas literárias) e Amores de Deodato e Madalena (novelas).
Faleceu em Petrópolis, em 24 de novembro de 1947, logo após participar de uma última cerimônia à frente da Tribuna com todos os profissionais que ali trabalhavam.

Pronta para completar 150 anos, nossa imprensa iniciada com Sudré, não poderia dispensar nomes como o do próprio Arthur, o outro Barbosa.



Escrito por Oazinguito Ferreira às 20:45
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Esporte em Petrópolis nas Primeiras Décadas do Século XX IV





 

A menção de Olavo Bilac na GAZETA DE NOTICIAS quanto ao desenvolvimento dos esportes, é uma constatação do fenômeno que o futebol já provoca no Rio de Janeiro, principalmente no estádio do Fluminense. Mas não devemos nos esquecer, que a ginástica foi a coqueluche dos jovens da Belle Epoque, assim como o turfe que por toda a segunda metade do século XIX foi o destaque, principalmente de apostadores, que o consideravam como o “sport” da “sociedade”. Não devemos nos esquecer que muitos destes jovens também já praticavam o tênis, havendo inúmeras quadras em escolas tanto do Rio como São Paulo e cidades serranas, o que corrobora a expressão de Raeder em seu editorial de O SPORT.


 

Charles Dunlop em seu livro de memórias (Petrópolis de Antigamente) fala sobre a importância que as corridas de cavalos haviam adquirido no Rio de Janeiro no século XIX, para tanto, havia em funcionamento quatro hipódromos na capital.

 

Em Petrópolis, o primeiro Jóquei Clube foi fundado em 1857, chegando a promover corridas, porém maiores pesquisas não existem quanto ao local de funcionamento. Sabe-se que seu fundador foi o político, Dr. Tomás José da Porciúncula.

 

Mas que precisamente ao final do século XIX, em 1890, o Sr. José Martins da Rocha, associado ao engenheiro Shutel, construiu um prado em Corrêas e promoveu diversas corridas com a participação também de animais que vieram do Rio de Janeiro.

 

Como diria o próprio Dunlop, as primeiras corridas tiveram a participação dos "dândis" de Petrópolis, não havendo grande concorrência de público, assim sendo as pules não cobriam os prêmios e o prado acabou cerrando suas portas. Voltando a reabrir em 1916, no mesmo local, mas também com grande fracasso. Outras tentativas sempre se seguiram, mas também seguidas de fracassos, como a de 1919.



Mas posteriormente, corridas foram organizadas tendo como base as associações de criadores da serra, principalmente na era de Getúlio Vargas que as admirava sendo freqüentador continuo tanto das corridas como de exposições de gado na serra (Centenário da Tribuna de Petrópolis).







Escrito por Oazinguito Ferreira às 14:26
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Esporte em Petrópolis nas Primeiras Décadas do Século XX III

Euclides Raeder levou esta importância na comunidade ao máximo, sendo constantemente citado pelos jornais oficiais da época na cidade, presença que se fazia constante em todos os eventos de associações e sociais. Chegou a criar um jornal único na história da imprensa brasileira, O SPORT, totalmente dedicado aos eventos esportivos, principalmente ao futebol que iniciava seus passos a caminho de tornar-se o evento nacional.

 

O SPORT circulou em 30 de novembro do ano de 1918, porém não conseguimos outros exemplares que o primeiro, por pertencer a um empreendimento efêmero como a grande maioria dos jornais petropolitanos do período. Euclides era o proprietário e diretor, talvez quem saiba, o próprio editor e repórter, já que se propunha a desenvolver atividades gerais. Caracterizava-se como um seminário esportivo, ilustrado com gravuras, o que era para a época no interior um luxo. Possuía quatro paginas e era composto em quatro colunas, com 28 cm. X 38.

 

 

 

 

Em sua talvez “única edição”, O SPORT, homenageava o Dr. Nelson Ribeiro de Castro, então deputado federal que na época  também acumulava a presidência da Liga Sportiva Fluminense é falecera em outubro, vitima da epidemia de “espanhola”. Já em seu editorial, “O Escudo da Liberdade é A Idéia Sã”, assinala que os princípios a serem seguidos pelo O SPORT seria “...quem assoma na vida com um ideal puro escudado pela idéia sã, pode ter o patronato da liberdade para a vitocia de seu desideratum”. E continuava “...seria demasiado desleixo dos que tomaram o encargo de erguer neste bello recanto do Estado do Rio de Janeiro o sport, deixar de escudar os seus direitos por meio de um orgam que pode servir de vehiculo a liberdade da manifestação do pensamento de quantos vivem, luctam, palpitam e semtem o valor incontestável das agremiações esportivas.” E afirma que “...não devemos esquecer que o sport desta cidade depois de ter uma phase de progresso, retrocedeu para uma decadência desaladora permanecendo por muito tempo na apathia constante da ideal sem ação... Hoje Petrópolis possue a Liga Petropolitana de Sports que é um centro onde pode expandir todas as manifestações dos nossos clubes de football que a incontestavelmente a prova flagrante de nosso progresso esportivo.”

 

Ainda na mesma página central tecia com fotogravura uma homenagem à Taça Arthur Barbosa, que fora conquistada pelo Serrano Football Club, foto de um grupo tirada por ocasião da disputa da taça. Na foto em destaque o homenageado com a taça e o primeiro secretário da Liga Sportiva Fluminense, sr. José Borges dos Santos.

 

Arthur Barbosa, jornalista, editor e diretor da Tribuna de Petrópolis na época, considerado pai da imprensa diária petropolitana, político pertencente ao grupo hermogenista, e ex-prefeito de Petrópolis licenciado.

 

Em nossas pesquisas sobre a imprensa petropolitana, observamos que O SPORT, poderia ser considerado como o primeiro jornal esportivo na história da imprensa brasileira, já que segundo Nelson Werneck Sodré (1966) em sua magistral e histórica obra sobre a História da Imprensa, já em 1908, Olavo Bilac em crônica publicada na GAZETA DE NOTICIAS, “aludia ao desenvolvimento que o esporte possuía entre nós” e considerava já no período o longo espaço que os jornais começam a dedicar-lhes pois também já havia quatro ou cinco revistas especializadas no gênero e que circulavam no Rio. Mas nenhum jornal especifico. (p.339-0) Já em 1912, O JORNAL DO BRASIL passa a dedicar página inteira ao esporte (p.398), e somente em 1931 é lançado o primeiro jornal totalmente dedicado ao gênero, o JORNAL DOS SPORTS. Portanto, O SPORT de Raeder pode ser considerado como o primeiro jornal esportivo brasileiro.

 



Escrito por Oazinguito Ferreira às 14:23
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Esporte em Petrópolis nas Primeiras Décadas do Século XX II

Nesta época destacava-se, Euclides Raeder, empresário do ramo de transportes, e desportista renomado na cidade que foi nomeado presidente da recém criada Liga de Futebol, com apoio de todos os membros e da própria junta comercial e de associações da própria cidade.

 

Raeder, neste período, destacava-se dos demais jovens na cidade segundo declarações de José Kopke Fróes como uma espécie de dândi. Como diria Diego Braga Norte, assim como em ensaio caracterizava João do Rio e outros indivíduos no mesmo período, “Gestos cênicos, ar indiferente a todos em volta, centro das atenções. Não nega nem confirma boatos sobre a vida íntima. Conquista admiradores e inimigos com a rapidez da efemeridade urbana. Nas grandes cidades a rua passa a criar o seu tipo, a plasmar a moral dos seus habitantes, a inocular-lhes misteriosamente gostos, costumes, hábitos, modos, opiniões políticas.” (in, http://pitacos.zip.net/).

 

 

 

Talvez a única característica que não fosse explicita era a de atleta, mas que se confundia com a grande maioria dos jovens da época (observe foto, onde Raeder destacava-se de pé, no estribo do ônibus). Como empresário foi expressão quando da criação de um transporte coletivo de luxo para a Cascatinha, satisfazendo assim o deslocamento da elite da própria região que considerava o “máximo” andar em transporte distinto do “populacho” que em sua maioria, principalmente operários, trafegavam apertado nos bondes e de forma insegura.

 



Escrito por Oazinguito Ferreira às 14:20
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Esporte em Petrópolis nas Primeiras Décadas do Século XX

Falar de esporte em Petrópolis é mencionar a informação que sempre nos foi passada por José Kopke Fróes, de que não deveríamos nos esquecer de que na década de 80 do século XIX, um frade chegado da Europa havia introduzido no Colégio São Vicente de Paula o futebol, e que este segundo depoimentos do frei Pedro S. ofm, teria sido o primeiro local do país onde o esporte teria se desenvolvido com os estudantes internos.

 

Este fato impressiona, pois os primeiros clubes esportivos petropolitanos já alcançavam destaque na sociedade no fim da primeira década do século XX, motivados com o desenvolvimento dos esportes especialmente dos ginastas cujo alcance é imenso tanto no Rio como em São Paulo, segundo a imprensa especializada, principalmente entre os membros da elite, que desenvolvem programas próprios.

 

Infelizmente não temos registros de academias na cidade neste período, mas sabemos que semelhantes iniciativas eram privadas na época no Rio, talvez em Petrópolis estivessem presentes nos chateaus e mansões. Nem mesmo registro de componentes de ginásticas nos hotéis petropolitanos ocorreu segundo pesquisa nos jornais locais, ao contrário do que foi registrado na Capital. Apesar de que nas praias eram mais comuns.

 

Quanto ao futebol, este já era largamente praticado em campos improvisados em algumas regiões de Petrópolis, chegando os praticantes a fundarem suas associações e agremiações a partir de 1915 oficialmente, como o foi o caso pioneiro do Serrano Futebol Clube.

 

Em 26 de julho do ano de 1918, foi fundada a Liga de Futebol de Petrópolis na sede da Associação Comercial, e compareceram ao evento os representantes dos oito clubes existentes na cidade. Entre os mesmos destacaram-se, o Serrano; o Sport Clube Internacional do Alto da Serra; o Itamaraty Futebol Clube como representante da Cascatinha e o São Sebastião Futebol Clube. Na ocasião os mais bem organizados e juridicamente definidos como entidades.

 



Escrito por Oazinguito Ferreira às 14:19
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Portinari & Petrópolis




Pontinari com JK

Em artigo já publicado pela Tribuna de Petrópolis, discutimos a presença da presença de diversos intelectuais de várias matizes que passaram por Petrópolis é discutiram sua realidade, principalmente por volta dos anos 40 e 50.


Já qualificamos esta como a “era da invasão do pseudo-modernismo”, da construção dos espigões, que destruiu a presença romântica do sítio histórico da cidade que era principalmente exposta pelos seus sobrados, representativos, e construídos em parte ao final do século XIX ou meados do século XX.


A gravura de um dos quadros de Portinari nos surpreendeu nesta discussão, exposta como se projetava em um guia de telefone da Telefônica (gravura do BC).


Procuramos obter maiores informações, o que nos conduziu a obter informações diversas tanto pelo acervo do Projeto Portinari, como de algumas instituições, tais como o Banco Central do Brasil e o Museu de Arte de São Paulo (Assis Chateaubriand).


A Primeira tela, um painel pintado a óleo, segundo o Banco Central, de 55 X 46, denominado Paisagem de Petrópolis - http://www.bcb.gov.br/htms/galeria/portinari/obras.asp?idpai=arteobras


(abaixo segue reprodução).



O segundo, que consta do Projeto Portinari - http://www.portinari.org.br


uma pintura a óleo sobre madeira, de 1952, no. 59-3035, assinada na metade inferior à esquerda "PORTINARI" e no verso do suporte "Portinari", sem data, pertencente a galeria Dom Quixote do Rio de Janeiro e cuja autenticidade foi atestada pelo mesmo Projeto sob o no. 892.


(abaixo segue reprodução)




Mas uma outra tela, também é atribuída à Portinari e datada no canto inferior direito "PORTINARI 944", pertencente ao Museu de Arte de São Paulo, Painel a óleo sobre tela, com medidas de 190 X 180 cm, indicando Petrópolis-RJ.


(não obtivemos reprodução)


Enviamos emails aos responsáveis na época, porém não conseguimos especificações a respeito desta curiosidade que deve ser respondida por técnicos.


Notamos sim que se aumentarmos o volume de área da tela propriedade do BC a data seria 1932, mas a assinatura torna-se ilegível.


Porém ao observarmos ambas as telas e as analisarmos, identificaremos o lado critico expresso por um genial pintor. O morro é cortado em uma mensagem que é o suporte desta época na cidade, o debate que se encerra em todos os setores pelo avanço da ocupação urbana com a consequente liberação política para a ocorrência dos loteamentos, um dos flagelos que condenou a cidade a uma centena de favelas é a maior critica aos projetos de habitação que encerraram a época para atender populisticamente e demagogicamente a demanda.


Recorremos ao texto de um autor que estudou esta característica presente nos artistas e intelectuais brasileiros do período, Ridenti:


"A crítica da realidade brasileira, associada à celebração do caráter nacional do homem simples do povo, viria nos anos de 1930 e 1940, por exemplo na pintura de Portinari e nos romances regionalistas, até desaguar nas manifestações da década de 1960, herdeiras da brasilidade, agora indissociável da idéia de revolução social - fosse ela nacional e democrática ou já socialista, contando com o povo como agente, não mero portador de um projeto político."


(Tempo Soc. vol.17 no.1 São Paulo June 2005, DOSSIÊ/HISTÓRIA SOCIAL DA CULTURA (AMÉRICA LATINA), Artistas e intelectuais no Brasil pós-1960, Marcelo Ridenti)


Observamos que semelhante processo torna-se coincidente com as analises processadas e que de há muito temos abordado para criticar a proposta urbanista para Petrópolis pelos políticos do século XX.








Escrito por Oazinguito Ferreira às 14:12
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Uma Biblioteca, Um Paço, Palacetes

 

 

Os cinquentões da atualidade possuem lembranças indescritíveis dos momentos passados "bebendo" páginas e páginas nas bibliotecas públicas da maioria das cidades brasileiras. Cenário da formação de gerações que se processaram por todo o século XX até meados dos anos 80.

 

Petrópolis possuiu sua Biblioteca Pública Municipal centrada no prédio da Câmara Municipal durante décadas que cruzaram do século XIX para o século XX, porém nos anos 30, com o crescimento dos consulentes, principalmente com os originários das tradicionais escolas públicas e privadas de Petrópolis, um dos palacetes laterais à Praça Visconde de Mauá foi adquirido e transformado pela municipalidade em prédio oficial da Biblioteca Municipal. E todo fantástico acervo, considerado à época como o segundo do Estado, com raridades doadas por D. Pedro, foram transferidos para este prédio.

 

Quantos foram os bibliotecários que por este passaram pelo mesmo: José Kopke Fróes, Margarida Palma e a fantástica Yedda Lobo... Quantas gerações liam ao ar livre sentados no jardim da Biblioteca ou no batente do muro e escada de entrada da Biblioteca, já que sua única sala de consulta também não suportava o limite. Livros então eram emprestados com uma cobrança módica de multa pelo atraso na entrega. Ah! Mas quantos atrasavam? A "fome" pelo conhecimento era imensa, e assim os livros transitavam livremente entre os próprios consulentes.

 

O paço,  era de um verdadeiro esplendor. Mas, o jardim que compunha a Praça e cuja foto do Embaixador Leitão da Cunha (anos 30) retrata nesta publicação. Minha geração não chegou a alcançar em sua memória.

 

As mesmas fotos do Embaixador, pertencentes ao arquivo do Museu Imperial indicavam que o jardim "era do Burle Marx"! Quem sabe não fosse verdade? Pois na época este era estudante e subia à serra para deliciar-se no veraneio com amigos de sua geração. Leitão da Cunha não fora um destes? Mas, a "obra" não foi registrada por qualquer bibliográfico ou arquivista de seus projetos. A não ser pelo próprio Embaixador. Podemos creditar?

 

Outro prédio que se destacava do conjunto, excluindo o Palácio Amarelo, era o do atual Centro de Estudos Frei Memória. Prédio que segundo Jerônimo Ferreira Alves, por situar-se lateralmente à Igreja Matriz, serviu de moradia temporária para Mauá, que promovia saraus para recepcionar o Imperador antes que seu palacete fosse concluído.

 

Não podemos nos esquecer da ponte. Uma verdadeira obra-prima da tradição com suas hortênsias às margens do rio. Podemos ainda observar pelas fotos que a atual rua de ligação com a Rua Oscar Weinschenck não existia, assim como o prédio do Liceu Municipal que são obras dos anos 50.

 

Outro mito que as fotos derrubam é o passado por alguns poucos veteranos de que poderia haver azulejos no passado do jardim, caso que estas desmistificam.

 

O palacete da Biblioteca não atendia realmente as crescentes necessidades da educação e leitura do jovem petropolitano demograficamente em expansão. Mas, não era preciso que o “conjunto arquitetônico” da Praça, característico do século XIX, fosse desfeito, por projetos e derrubadas de prédios históricos como as que ocorreram. Ele era parte integrante da educação patrimonial da sociedade petropolitana. Porém, em nome de um novo movimento “pseudo-modernista-urbanista” de jovens engenheiros dos anos 70, construíram em seu lugar um “monstro de concreto” que “destona” do conjunto e nunca serviu como deveria aos projetos culturais que o orientaram.

 

A descaracterização do sitio histórico continuou a se processar com imensa volúpia, com a pretensão de colocar jovens nomes na história, com suas obras megalomaníacas que se destacavam do conjunto visual. Marca de suas “escolas”. Escolas de engenharia, política ou administração, egocêntricas e destruidoras.

 

Hoje, este monstro de concreto, abriga muito mais repartições públicas que culturais ou educativas como seria seu dever inicial como foi projetado.

 

Mas, para aqueles que saudosamente presenciaram em memória, parte deste conjunto patrimonial, as fotos são o testamento de uma época.

 



Escrito por Oazinguito Ferreira às 13:29
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Para alunos e ex-alunos


Faça-nos uma visita:

UOL

Participe da comunidade criada para enriquecer a história da cidade de Petrópolis no século XX:http://petropolisnoseculoxx.comunidade.uolk.com.br



Escrito por Oazinguito Ferreira às 12:20
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Imprensa Alemã em Petrópolis




Nachrichten, junto com O Brasília e O Germânia, foram os únicos jornais de língua alemã em território petropolitano registrado na História da Imprensa local que em 2007 completará seu sesquicentenário. De O Brasília, até o presente momento não conseguimos fac-símile pois foi publicado durante um período do século XIX na última página do jornal O Mercantil, justamente a coleção que que segundo informações na década de 80 foi roubada do Arquivo Histórico Municipal (Biblioteca Municipal), nos anos 70. Não conseguimos também obter fac-simile do Germânia. Quanto ao Nachrichten, a coleção é mais farta e presente na hemeroteca deste arquivo.

Nachrichten foi criado por Edmundo Hess, um dos irmãos que se notabilizaram pelo conjunto fotográfico da cidade presente em inúmeras publicações, principalmente revistas, das primeiras décadas. Os Hess possuíam um estúdio na Avenida XV de Novembro e serviam principalmente a população.



Edmund ou Edmundo como era tratado, criou o jornal em 1900 de forma independente mas com o auxilio da comunidade alemã. Anunciava-se como um "órgão de interesses teuto-brasileiros", impresso totalmente em idioma alemão, com características informativas, noticiosas e sociais. Possuía um grande número de anúncios comerciais, principalmente do pequeno comércio de origem teuta dos bairros do Bingem e da Mosela, acompanhado de indicadores.



Editoriais comentando o noticiário nacional e internacional eram seu forte, chegando inclusive a influenciar a comunidade segundo depoimentos de Gabriel Fróes, o que teria conduzido a uma forte pressão popular no ano de 1917 com o quadro da Primeira Grande Guerra, e resultado em seu empastelamento ante os protestos da população que levaram inclusive os moradores do bairro da Mosela a levantarem barricadas de proteção. Fato único que se tem registro na história da imprensa alemã no país, se recorrer aos dados de Nelson Werneck Sodré.
De pequeno formato, não chegando inclusive a ser observado como tablóide, o jornal era impresso em quatro páginas e três colunas, com 28 X 22 cm.Sua coleção na Biblioteca Municipal possuía segundo registros de 1982, o número 789 de 1908, e encardenados, do no. 1.101 de 1911 ao no. 1736 de 1917.




A Brasilia

Foi o primeiro periodico alemão fundado em Petrópolis, foi A Brasilia, exatamente em 1858. Realização de uma sociedade composta de comerciantes, artesãos e colonos alemaes, e cujo primeiro número foi publicado em abril de 1857. Foi seu editor e redator G.F. Bush, e curiosamente foi impresso a princípio na tipografia do primeiro jornal petropolitano O Mercantil, de propriedade de Bartolomeu Pereira Sudré, figurando e curiosamente era estampado na quarta página do mesmo O Mercantil. Segundo informações de Gabriel Froes, O Brasilia, teve diversas interrupções até 1862, ano em que foi definitivamente suspenso.

A sociedade que era proprietária, em principio de 1859 comprou uma tipografia que foi instalada na praça do imperador, hoje d. pedro de alcantara, 5, o predio era pertencente ao negociante Pedro Caheins.

O Germânia

Periodico alemão fundado em Petrópolis e publicado em 17 de janeiro de 1864 por Pedro Mueller, seu proprietário e redator. Ao que tudo indica, a carência de informações para os colonos e seus descendentes passa a constituir-se em uma necessidade política e nacionalista. Quase que uma exigência, pois a política educacional do Império visava cada vez mais a extinção do idoma falado pois para o Estado nada além do português deveria ser o idioma em território nacinal.

Pedro Mueller teve grande importância política na comunidade germânica de Petrópolis. Participou do primeiro protesto de colonos e descendentes para que seus votos fossem considerados na eleição dos vereadores petropolitanos, assim como na luta pela obtenção da cidadania. Mueller também elegeu-se posteriormente vereador na comunidade.

Esta folha existiu sem interrupção durante 10 anos, passando em 1o de janeiro de 1874 a pertencer a Richard Matthes, que no Rio de Janeiro, foi publicado com o título de Algemeine Deutsche Zeitung, e deixou de existir em 1888.


Estes jornais podem ser caracterizados como relíquias brasileiras da cultura teuta, e não incluídos no rol das relações culturais estudadas por especialistas como Emilio Willens.



Escrito por Oazinguito Ferreira às 09:29
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Pontes & Hortências: Charme Petropolitano



Não podemos negar que um dos maiores charmes de nossa cidade foram as tradicionais pontes de madeira sobre nossos rios, sobrando poucas na atualidade.


Pela foto do arquivo do Museu Imperial, provavelmente dos anos 30, podemos observar como as administrações públicas as tratavam com todo o carinho e conservações necessárias. Manutenção periódica era uma das principais características das administrações públicas que passaram pela cidade até os anos 40.

Engenheiros, como o saudoso Dr. Guilherme Eppinghaus, profissionais categorizados, coordenavam equipes que percorriam toda a cidade para avaliar as condições das mesmas "obras" assim como também o entorno bem arborizado destas e as espetaculares hortênsias plantadas às margens dos rios. Hortências que infelizmente hoje não mais existem.



Escrito por Oazinguito Ferreira às 20:59
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Casa Seabra uma Tradição Secular




Nascida em fins do século XIX, como uma casa de artigos importados, é ainda uma das mais antigas que sobreviveram no comércio petropolitano. Tornou-se mais popular pela década de 20 ante os modismos do limiar do século que faziam a "cabeça" dos jovens "mancebos" de então, a Casa Seabra, apresentava em Petrópolis, o que a Casa Edsan entre outras representavam na Capital. Um desfile de discos importados e vitrolas de todas as marcas e boa qualidade. Tradição que se perpetuou durante décadas no século e somente nos anos 60 passou a sofrer a concorrência de A Musical, criada por Benjamim Carneiro Malta da Radio Difusora.

Sua sede por muitas décadas foi o sobrado do no. 820 da então Av. XV, transferindo-se posteriormente para outros endereços. Passou por quatro proprietários. Outro dia ficamos sabendo por seu proprietário já há 34 anos, Adilson, que dona Odete, a comerciaria mais antiga de Petrópolis e que faleceu há exatos cinco anos, começara a trabalhar na casa Seabra aos 13 anos de idade, falecendo com quase 80, passando por três proprietários.

Já nos anos 60, a famosa casa comercial tornara-se eclética na comercialização de revistas importadas e modelos da Revel além dos tradicionais fogos de artifício, assim como outros produtos e instrumentos musicais que sempre foram seu forte. Hoje destaca-se ainda pelo mesmo ecletismo e compondo com material evangélico.




(anúncio dos anos 30 nos jornais petropolitanos)



Escrito por Oazinguito Ferreira às 20:34
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Anuncios dos Jornais Petropolitanos




A grande maioria dos jornais da cidade na década de 20, traziam anúncios convencionais muitas vezes seguindo a tradicional forma de composição tipográfica, em uma época onde os jornais cariocas, já se submetiam de forma até mesmo abusiva às fotogravuras e desenhos. Exceções se realizavam em jornais como O Século e outros que eram impressos diretamente no Rio para comercialização em Petrópolis.

Em Petrópolis, ocorreu a primeira impressão por fotogravura em 1909, quando da comemoração do primeiro aniversário da imprensa diária pela Tribuna de Petrópolis (ensaio sobre o Centenário), mas como os custos deveriam ser elevados no período, raramente eram observados, insistindo o parque gráfico nas formações tradicionais.


Curiosamente as revistas ou guias da época abusavam nas composições fotográficas, para deleite dos eleitores que eram compostos em sua maioria por membros da elite econômica da cidade ou de veranistas.

Na transposição observamos acima anúncios do jornal Tribuna de Petrópolis na década de 20 (1928), onde curiosamente destaca-se o tradicional anuncio de comercialização de lenha para os hotéis (em grande quantidade) e casas da cidade (principalmente as mansões de barões), já que o povo nos quarteirões adentrava mesmo à mata para se abastecer. Semelhante comércio, já havia sido condenado pelo próprio Koeler quando vivo e que submetera a questão do desmatamento ao Imperador que concordou. Medidas foram decretadas para extinguir a operação, mas eram um dos elementos básicos de sobrevivência dos colonos e de seus descendentes diante da crise econômica que sempre se abateu sobre a cidade.

Na transição do século o grupo político de Hermogênio Pereira da Silva denunciou a sobrevivência deste comércio que atingia o ecossistema. Nos anos 20 o professor de geografia da cidade, com inúmeras obras, já denunciava o desmatamento e a agressão sofrida pela fauna e flora local.

Não podemos esquecer que medidas também foram tomadas e decretadas em 1929 para conservação por decreto federal do ecossistema que margeava a rodovia recentemente inaugurada, a Rio Petrópolis.

Já o anuncio da Singer foi dos anos 50, quando a revendedora instalou-se lateralmente à loja da extinta Casa Roberto e da também extinta Leiteria Central, onde hoje funciona uma casa lotérica. A Singer foi parte integrante do modismo dos anos 50 e 60 quando as celebres “modistas” ou mães que aprendiam “corte-e-costura”, compravam suas máquinas portáteis para confeccionar os vestidos cujos modelos eram expostos em revistas como O Cruzeiro, para deleite das filhas que passeavam pelo centro da cidade nos sábados e domingos, principalmente para freqüentar as lanchonetes que se instalavam na cidade.




Escrito por Oazinguito Ferreira às 20:20
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